Confissões de um terapeuta infantil

Ser terapeuta infantil é difícil. É claro que é difícil ouvir as lutas pelas quais as crianças passam, mas a verdadeira luta atinge um nível pessoal.
Como pais, somos sensíveis e vulneráveis a críticas. Maridos, amigos e sogros bem-intencionados adoram apontar o que estamos fazendo de errado. “Umm… você não deveria estar fazendo assim?” “Você acha que é realmente uma boa ideia?” “Você acha que ele precisa de outro?” Comentários como esses voam para mim como punhais. De uma só vez, você pode aniquilar minha paternidade, minha carreira e minha competência. Isso é muita pressão. Isso é muita aniquilação.
Ninguém é perfeito, mas se você é chef, espera-se que você faça um bom jantar. Se você é um terapeuta infantil, espera-se que você seja ótimos filhos. Então, como uma jovem terapeuta de mães e filhos, ouvi atentamente o que a sociedade considerava “boa parentalidade” e minha cabeça começou a girar. A lista de verificação cresceu na minha cabeça antes que o feto passasse do tamanho de uva para pêssego:
– Dar à luz naturalmente
– Faça uma epidural
– Amamentar
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– Não amamente
–Co-sono
– Horário de sono
– Autodesmame
– Desmame programado
[recirculação]
As regras e proibições cresceram à medida que meu bebê crescia…
– Evite glúten, trigo, laticínios
– Brinquedos de plástico e iluminados não são bons
– Limite o tempo de TV e tela do seu filho
– Coloque seu filho na cama no mesmo horário
– Treine o penico cedo
– Trem penico atrasado
– Não diga ao seu filho “bom trabalho”
– Não chame sua filha de bonita
– Não faça intervalos
– Dê tempo ao seu filho
– Não dê consequências ao seu filho
– Dê consequências ao seu filho
– Dê recompensas
– Não dê recompensas
– Não bata
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– Palmada
– Tenha um cronograma
– Não tem horário
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– Brinque com seu filho
– Deixe seu filho brincar de forma independente
– Chame-os de colapsos
– Chame-os de birras
– Elogie seu filho
– Não elogie seu filho
E então vieram os acampamentos e os rótulos parentais…
- Parentalidade
– Paternidade ao ar livre
– Paternidade permissiva
– Paternidade de helicóptero
Que tipo de pai eu sou? Qual é o meu estilo parental? Que método parental devo seguir? Isso foi mais difícil do que a pós-graduação. Posso colocar aquela criança de volta no útero e tentar novamente? Posso mudar meu curso aos 35?
Sento-me no lado oposto do sofá de terapia, ouvindo os pais se repreenderem.
Ela ainda está dormindo comigo... eu sei que isso é ruim.
Ele assiste TV... eu sei que deveria limitar isso.
Não queremos elogiá-lo muito… Eu sei que dizem que você não deveria fazer isso.
Ela me pede para brincar com ela... sei que deveria brincar mais com eles.
Temos uma rotina rígida… sei que deveria ser mais flexível.
Não temos rotina… sei que deveria ser mais estruturado.
Por um tempo, entrei para o clube dos pensadores do tipo “Eu sou uma péssima mãe” e me sobrecarreguei com a culpa junto com os melhores deles. Criei uma longa lista de proibições em minha cabeça para acompanhar meu café da manhã.
Digo à minha filha que ela é linda.
Estou ensinando a ela que ela só é valorizada por sua aparência – caramba!
Digo aos meus filhos “bom trabalho” o tempo todo.
Estou jogando fora elogios vazios – merda!
Meus filhos têm iPads.
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Estou destruindo seus pequenos cérebros!
Às vezes fico com raiva.
Que tipo de fraude eu sou?
À medida que fui crescendo, comecei a me importar cada vez menos. Comecei a questionar essa lista desconexa e conflitante de regras que eu estava tentando seguir (e falhando). No terceiro filho eu pensei, espere um segundo - estou me sentindo culpado pela forma como elogio meus filhos? Quando eu era criança, minha mãe nos colocou na traseira de uma caminhonete sem cinto de segurança. Vagamos pela vizinhança até escurecer, sem nenhum dos pais à vista. O jantar foi feito no microondas em frente à TV, e tenho quase certeza de que eu mesmo os esquentei. Passei semanas (estou tentando ser honesto aqui) sem tomar banho.
Às vezes penso na minha infância e me pergunto como sobrevivi. Eu tenho que estar fazendo melhor do que isso, certo? E eu sou. Caramba, meus filhos tomam banho mais de uma vez por semana. Ganhe por mim. Na verdade, preparo o jantar três – talvez até quatro – dias por semana. Isso mesmo. Às vezes até faço panquecas para o café da manhã. História verdadeira.
Eu não julgo. Não julgo os pais quando eles vêm me ver. Aprendo qual é o estilo parental deles e ofereço meu apoio. Eu respeito suas crenças e trabalho a partir daí. Eu não deveria fazer a mesma coisa por mim mesmo? Não deveríamos todos fazer isso uns pelos outros? Desde quando a paternidade se tornou tão crítica quanto o ensino médio? Já tenho o suficiente com que me preocupar com estrias, falta de sono e toda essa história de manter vivos os pequeninos. Estou jogando a toalha branca metafórica.
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